É preciso nos lançar como semente.

Nós não damos muita importância a uma semente. Quando nós não andamos em algumas regiões, onde se transportam grãos, nós ficamos admirados da quantidade de grãos que se perdem. Um grão, uma semente não é importante para nós. 
 
Por exemplo, não damos muita importância a um pequeno grão de arroz que permanece sobre nossa mesa. Nós não damos muita importância. No entanto, no Evangelho de hoje, Jesus dá importância a uma semente. E o que há nessa semente de grandeza? Essa semente tem como na primeira leitura uma espécie de gemido. Ela quer ver a luz. Ela tem um longo trabalho pela frente. Ela precisa sair de si mesma. Precisa arrebentar o casulo de si mesma e devagar se tornar aquilo que deve ser.
 
A semente não deseja permanecer semente. Ela sempre guarda dentro de si aquilo que deve ser. No entanto, a semente também tem algo de liberdade. Liberdade no sentido de que ela conserva, mas terá o seu caminho, porque liberdade é conquista. Liberdade não ganhamos de mão beijada. A semente também terá de fazer um caminho.Mas talvez a expressão mais bonita em relação a primeira leitura é de que dentro de cada semente tem uma esperança que vê, mas não se vê. Toda semente indica, mas não se mostra. Toda semente, ainda mais a de mostarda, indica, mas não se mostra como a esperança, nas ela conduz. 
 
Como diz o poeta, ” entre a fé, a esperança e a caridade, quem conduz a caridade e a fé é a esperança. Ela é como uma menina que pula alegremente em frente e conduz. Assim é uma esperança dentro de uma semente. Ela é sempre um por vir. É bonita a história de uma semente. Toda a primeira leitura poderia ser vista nesta perspectiva de semente.
 
E Jesus diz: – O reino dos céus é como uma semente. É o reino do céu. Nós vivemos no reino dos céus. Nós somos para o reino dos céus. Nós nascemos para o reino dos céus. Nós ajudamos a desabrochar o reino dos céus, porque o reino dos céus é sempre um caminho a ser percorrido. É sempre a perspectiva de caminhar. E não é isso que fazemos na região da Amazônia, na região onde cada um de nós está? Nós anunciamos a semente! 
 
A grandeza, a beleza, a nobreza, a simplicidade do escondimento do reino de Deus. Não somos homens e mulheres que anunciam o reino de Deus? Não nos foi dado como tarefa anunciar o reino de Deus? Visibilizar o reino de Deus? E como dizia a primeira leitura, e como faz a semente, não sem dores, não sem sofrimento, mas como toda a esperança na realidade difícil, dura em que vivemos, ainda mais nós percebemos a força do reino de Deus.
 
Nós como Igreja somos o reino de Deus, porque a semente já desabrochou na plenitude de Jesus Cristo. Ele é a visibilização do reino de Deus. É a completude do reino de Deus, e nós nEle vamos levando o reino de Deus a sua plenitude. Talvez por isso é que os santos padres diziam: ” É preciso estar atendo as sementes do verbo, isto é, as sementes do reino de Deus.
 
E nós diríamos hoje nas nossas culturas, nas nossas ações, nas nossas conquistas, mas também sempre de novo atento para aquilo que ainda está escondido, para que Deus realmente possa construir o seu reino no meio de nós. 
 
O reino de Deus é como uma semente de mostarda. Simples, escondida, mas a espera de ser lançada. Toda semente tem uma ânsia de ser lançada. Toda semente espera ser lançada para poder chegar a sua plenitude de se tornar uma árvore.
 
Lancemos a semente. Nos lancemos como sementes para que Deus possa tornar visível, como fez em Jesus,o reino de Deus. Que assim seja!
(Homilia de Dom Leonardo, na celebração de hoje (29/10/13) em Manaus)