“A santidade está em deixar que o Senhor escreva a nossa história”

16/01/2014 | Geovane Saraiva

“A santidade está em deixar que o Senhor escreva a nossa história”, disse o Papa Francisco aos 17 de dezembro de 2013, querendo dizer que é dever do cristão se esforçar para viver bem neste mundo, consagrando cada dia de sua vida, no compromisso com o projeto de Jesus de Nazaré, na mais absoluta certeza de que o mistério da encarnação é a aurora do dia interminável; indo na direção da fulgurante glória do redentor, a conduzir a humanidade ao bom caminho, antevendo pela fé a luz inigualável, que jamais se extinguirá.

A partir desta premissa como é belo e maravilhoso compreender o 266º papa da era cristã da humanidade, sinal de vida e esperança para o mundo, eleito no dia 13 de março de 2013, no quinto escrutínio daquele Conclave de 115 Cardeais, com o nome de Jorge Mario Bergoglio sj, primeiro latino americano, primeiro jesuíta e primeiro a chamar-se Francisco, na história de dois mil anos de cristianismo. Percebe-se logo de início que quer ficar longe da pompa e tudo mais que foi introduzido no decorrer da nossa civilização cristã, a qual colocou o Papa no patamar bem elevado, no patamar de “soberano”.

Daí a escolha do nome Francisco não ter sido por acaso. Foi uma clara decisão de um programa de governo para a Igreja Católica, tendo diante dos olhos, na mente e no coração a força da figura humana de Francisco de Assis, exemplo e referencial, que viveu de um modo radical, a pobreza evangélica, desejando dizer as pessoas que é possível deixar a inércia e fazer, através do despojamento generoso, seu caminho de discernimento, tão proclamado pelo Bispo de Roma.

O Sumo Pontífice indica o caminho, contido no início do Evangelho de Marcos, no qual Jesus, caminhando à beira do mar da Galileia, chamou os pescadores Simão e André, Tiago e João e os constituiu discípulos, com a missão de levar adiante o anúncio da boa nova da salvação, dizendo-lhes que o Reino Deus, doravante anunciado por eles, chegasse a todos, sem fazer distinção alguma. O Senhor Jesus planejava para eles não mais aquele mar bem conhecido, mas um mar completamente novo, simbolizando a humanidade inteira, no qual eles iriam ser protagonistas de uma grande pescaria; que tinha chegado a hora de superar as diferenças e aproximar muitos irmãos e irmãs para Deus (cf. Mc 1, 16-20).

Como é importante o nome por ele definido: Bispo de Roma! É claro que nada impede de chamá-lo de Vigário de Cristo na terra, Pastor Universal, Romano Pontífice, Sumo Pontífice, Augusto Pontífice. Sucessor de Pedro, Príncipe dos Apóstolos, Santo Padre, Sua Santidade, Chefe Visível da Igreja, Patriarca do Ocidente, Primaz da Itália e ainda Servos dos Servos de Deus. Ele se apresentou, porém, com o Bispo de Roma, nesta expressão: “parece que meus irmãos cardeais foram buscar o Bispo de Roma quase no fim do mundo”.

E aqui um olhar crítico para Francisco, que tem um coração grande, coração de pastor, que fala ao mundo, na sua conjuntura espiritual conflituosa, sem esquecer o econômico e o social, lá no âmago do coração de seu rebanho. “Agora iniciamos juntos este caminho, bispo e povo. Este caminho da Igreja de Roma, que preside na caridade a todas as Igrejas, um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos uns pelos outros. Rezemos pelo mundo, para que haja uma grande fraternidade”.

Francisco quis imprimir na mente e no coração do povo de Deus, que a mesma simplicidade por ele vivida em Buenos Aires, iria procurar vivenciá-la no Vaticano. Fala ao mundo como pai dos amigos de Jesus e de todos aqueles que abraçam a fé ou não, mostrando ao mundo o sentido da catolicidade. É claro, que o desejo de se viver e ser coerente com seu batismo é imprescindível para os cristãos, realizando a vontade do Pai, numa bela e rica experiência de que Deus é amor, no seguimento dos passos de Jesus de Nazaré.

Com a tonalidade que deu início sua missão de pastor, as mesmas palavras de simplicidade, o filho de uma família simples e numerosa, residentes do bairro humilde de Flores, nascido aos 17 de dezembro de 1936, tendo como pais, o ferroviário Mário Bergoglio e a dona de casa Regina Sivori, optando por morar num apartamento da Casa Santa Marta, albergue dos cardeais, fazendo suas refeições com os demais moradores da mesma, deslocando-se ao Palácio Apostólico para trabalhar, para as audiências e visitas de autoridades, dos chefes de estados ou representantes diplomáticos, manifestou ao mundo, nesta frase do Pobrezinho de Assis: “os pobres são meus mestres”, para que o mundo inteiro saiba.

Ao divulgar uma carta neste dia 13 de janeiro de 2014, sobre os 19 cardeais que irá constituí-los no dia 22 de fevereiro deste ano em curso, o Papa Francisco pediu-lhes simplicidade e humildade de coração: “O cardinalato não significa uma promoção, nem uma honra, nem uma condecoração, é simplesmente um serviço que exige ampliar o olhar e alargar o coração”. E ao saudar o corpo diplomático no mesmo dia, falou com veemência contra o aborto, qualificando-o como “prova da cultura do descartável, que desperdiça as pessoas da mesma forma que desperdiça o alimento; é horrível quando você pensa que há crianças vítimas do aborto, que nunca verão a luz dia”. Que a nossa oração por ele seja insistente, atendendo seu pedido constante. Assim seja!

Fonte: Geovane Saraiva/Revista Missões