Evangelho: voltados para o outro, com generosidade

A Palavra de vida deste mês convida-nos a não economizar cuidados e gestos de atenção para com quem encontramos: alguns testemunhos.

O sangue

O automóvel que vai na minha frente derrapa, bate contra um muro e capota. Consigo frear. Há quem pare para socorrer os feridos: uma idosa, uma criança e um jovem. Mas ninguém quer levá-los ao hospital, pelo receio da acusação de ter provocado o acidente. Mesmo se por ver o sangue, muitas vezes já perdi os sentidos, procuro ser forte e coloco-os no meu carro. Para serem atendidos, o hospital pede um pagamento, mas aquelas pessoas não têm dinheiro. Assino um cheque e asseguro-me de que os feridos sejam bem tratados, feliz por ter vencido a minha emotividade, mas principalmente por ter feito algo por aquele “irmãos”. M. S. – Argentina

Vencer o cansaço
Muitas vezes, ao chegar em casa, sofro com o vazio deixado pela morte da minha esposa e prefiro ficar sozinho, tranquilo, mas sinto que devo esquecer-me de mim mesmo e alimentar o relacionamento com os meus filhos. É difícil ser pai e mãe ao mesmo tempo. Outro dia, voltando para casa, dei-me conta que todos ainda estavam acordados: gostaria de ir descansar, mas fui brincar com eles, sem pensar no cansaço. Para a minha surpresa, um deles, com quem o relacionamento sempre foi difícil, aproximou-se de mim com afeto e sentou-se no meu colo. Isto nunca tinha acontecido. S. R.- EUA

Chocolates

Levei uma caixa de chocolates de presente para alguns amigos, que, por sua vez, quiseram dar-me uma ainda maior: «Para as tuas filhas!». No ônibus, quando voltava para casa, entrou um casal, com uma menina que talvez tivesse cinco anos. A criança olhava para a caixa de chocolates com grande desejo. No início fiz como se não me tivesse apercebido, mas não estava tranquilo. «Jesus, faz-me entender o que devo fazer». Precisamente naquele momento, a menina aproximou-se de mim, estendendo a mão para os chocolates. Não podia rejeitá-la e dei-lhe a caixa. Mas ao descer do ônibus, sentia-me um pouco descontente por voltar com as mãos vazias. Entretanto, ao entrar em casa, a minha esposa veio dizer-me que uma amiga, ao passar para cumprimentá-la, tinha deixado um cesto muito grande, cheio de chocolates. Fiquei sem palavras, feliz. W.U. – Itália

Fonte: O Evangelho do dia (Il Vangelo del giorno)Città Nuova Editrice