A Igreja não é de Pedro mas de Jesus

Pe. José Antonio Pagola. Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez

O episódio tem lugar na região pagã da Cesareia de Filipo. Jesus interessa-se por saber o que se diz entre as pessoas sobre Si. Depois de conhecer as diversas opiniões que há entre o povo, dirige-se diretamente aos Seus discípulos: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”.

Jesus não lhes pregunta que é que pensam sobre o sermão da montanha ou sobre a Sua atuação de curar entre as populações da Galileia. Para seguir Jesus, o decisivo é a adesão à Sua pessoa. Por isso, quer saber o que é que captam Nele.

Simão toma a palavra em nome de todos e responde de forma solene: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Jesus não é um profeta mais entre outros. É o último Enviado de Deus ao Seu povo eleito. Mais ainda, é o Filho do Deus vivo. Então Jesus, depois de felicitá-lo porque esta confissão só pode vir do Pai, diz-lhe: “Agora Eu te digo: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja”.

As palavras são muito precisas. A Igreja não é de Pedro mas de Jesus. Quem edifica a Igreja não é Pedro, mas Jesus. Pedro é simplesmente “a pedra” sobre a qual se assenta “ a casa” que está a construir Jesus. A imagem sugere que a tarefa de Pedro é dar estabilidade e consistência à Igreja: cuidar que Jesus a possa construir, sem que os Seus seguidores introduzam desvios ou reducionismos.

O Papa Francisco sabe muito bem que a sua tarefa não é “fazer as vezes de Cristo”, mas cuidar que os cristãos de hoje se encontrem com Cristo. Esta é a sua maior preocupação. Já desde o início do seu serviço como sucessor de Pedro dizia assim: “A Igreja há de chegar a Jesus. Este é o centro da Igreja. Se alguma vez acontecesse que a Igreja não levasse a Jesus, seria uma Igreja morta”.

Por isso, ao fazer público o seu programa de uma nova etapa evangelizadora, Francisco propõem dois grandes objetivos. Em primeiro lugar, encontrar-nos com Jesus, pois “Ele pode, com a Sua novidade, renovar a nossa vida e as nossas comunidades… Jesus Cristo pode também acabar com os esquemas aborrecidos nos quais pretendemos encerrá-Lo”.

Em segundo lugar, considera decisivo “voltar à fonte e recuperar a frescura original do Evangelho” pois, sempre que o fazemos, brotam novos caminhos, métodos criativos, sinais mais eloquentes, palavras carregadas de renovado significado para o mundo atual”. Seria lamentável que o convite do Papa para impulsionar a renovação da Igreja não chagasse até aos cristãos das nossas comunidades.